Zine-se!

Meu primeiro contato com fanzines foi lá pelos 14 anos de idade, quando comecei a me envolver na cena punk. Era uma coisa doida, galera trocava, distribuia, mandava por carta, alguns que eram maiores eram vendidos a centavos, e todos trabalhos independentes com todo tipo de contéudo que com certeza você não achava pelas bancas de jornais (ou, hoje em dia, vai achar pelos algorítimos nas redes sociais). Foi ali que aprendi sobre varios assuntos e fui apresentado a varias ideas novas, muitas que ainda levo comigo. Zines sobre cultura, com entrevistas, resenhas de discos e livros, mas também outros com muita arte, muitos desenhos, quadrinhos, versos, pensamentos, completamente sem censura, falando sobre coisas íntimas ou discutindo questões sociais, ambientais, econômicas... mas o mais legal é ver como aquilo tudo era feito, a galera estava bem ali, na sua frente, e eles mesmo estavam fazendo, então você também pode!

Colagem de imagens de pessoas lendo e compartilhando fanzines

Logo eu já estava produzindo os meus próprios. No começo eram panfletos, depois juntei com mais gente e já lancei em diversas folhas colocando dois grampos na lateral pra parecer uma revista, ou só dobrando elas no meio para parecer um livrinho, e também já fiz dobrando em quatro pra caber no bolso e abrir e ler igual jornal, feitos a mão, com colagens ou impressos, na época tirar xerox ainda era bem barato (hoje em dia tá um real! Cé loko!?). Teve alguns que fiz sozinho, mas pra mim o legal sempre foi juntar uma galera e todo mundo se expressar, ter sua voz ou seu traço. Agora me restaram poucos, muitos eu doei para a biblioteca de um falecido squat anarquista e não tenho a menor ideia de que fim tiveram, tenho os que fui recebendo e trocando depois disso, mas já faziam anos que eu não produzia nada, e desde a pandemia estou afastado de tudo.

Fanzines diversos sobrepostos

Tomando os meios de produção!

A cidade aqui é um marasmo, mas no final do ano passado rolou um evento legal organizado pelo Michel do Fatigati. Deu um público legal, bastante gente que eu não conhecia, mas a impressão que dá é que ainda tem muita gente alternativa na cidade, fora do padrão, mas estão em bolhas diferentes, grupos diferentes, separados pelos algorítimos que controlam o que foi selecionado para sabermos, e tá faltando algo pra fazer a ponte, e na época eu já tinha ficado com essa ideia de lançar um zine e fazer uma distribuição estratégica, deixando em locais para ver se alcança essa gente, mas por motivos diversos esse momento se perdeu...

Eu continuei cozinhando essa ideia até que cheguei num ponto que falei "vou fazer" e joguei por aí pra ver quem mais animaria, e descobri que não era só eu que não aguentava mais ficar parado, o Michel estava voltando com o Fatigati e já com ideia de pra agitar a cidade, e o Daniel Souza Luz também abraçou na hora, então vamos que vamos, achar os perdidos e ver no que dá.

Arrumei uma impressora a laser barata pra tirar as fotocópias eu mesmo, e agora que controlo os meios de produção, ha! Quero ver me parar!
A parte mais difícil desse projeto tá sendo achar caixas de papelão pequenas pra pendurar por aí pra distribuir os zines, tô tendo que pegar umas grandes e recortar - que é um saco fazer... mas enfim, pow, se você tem um zine também, ou tá afim fazer um seu, e for coisa de uma ou duas páginas, manda pra mim que eu vou distribuir também!

Participe aqui com a gente, ou faça você mesmo! Zine-se!

Pira